terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cinco centavos

Um missionário cristão que trabalhava na região norte das Filipinas, passava férias com sua esposa na pitoresca cidade de Baguio, de clima ameno e paisagens belíssimas. Ambos caminhavam descontraidamente pelo mercado público, admirando o belo artesanato típico daquela região filipina, quando perceberam a aproximação de uma garotinha. O missionário cochichou à esposa: “Tenho certeza de que essa menina irá nos pedir uma esmola!”. Ambos decidiram fingir que não estavam percebendo a aproximação da garota, e continuaram seu passeio pelo mercado. Não adiantou: a menina se aproximou do missionário, e puxou levemente seu casaco, tentando atrair sua atenção.

“O que você quer, menina?”, foi a pergunta feita com certa impaciência.

“Por favor, o senhor pode me dar cinco centavos? É que não comi nada ainda, e estou com muita fome”, disse a garota.

O missionário colocou a mão no bolso, tirou diversas moedas e, depois de examiná-las, deu-lhe a de dez centavos, a de menor valor.

A menina pegou a moeda e sumiu entre a multidão. O casal missionário seguiu seu caminho. Passados uns 20 minutos, viram a menininha que se aproximava novamente. O marido, irritado, comentou com a esposa: “Viu só? Como conseguiu o dinheiro com facilidade, vai pedir mais!”. E decidiram ambos ignorar a menina e continuar seu passeio.

Como antes, a pequena puxou o casaco do missionário para atrair-lhe a atenção. Este lhe perguntou: “O que você quer agora?”. Com candura nos olhos, a menina respondeu: “Senhor, vim trazer o seu troco. Eu lhe pedi cinco centavos, mas o senhor me deu dez, lembra-se?”.

Surpresos e, com certeza, muito envergonhados, os missionários quiseram saber mais sobre a menina, sua família, e onde morava. A pequena Feley os convidou a ir até sua casa, o que fizeram imediatamente, atravessando uma favela polvilhada por barracos miseráveis num dos morros da cidade.

Feley morava num casebre coberto de palha, destituído de qualquer tipo de conforto. Quando os olhos dos missionários se acostumaram à penumbra, ficaram pasmos ante a cena: num canto, estava o pai da família, estendido sobre um catre feito de trapos, tossindo fortemente e pondo sangue pela boca. Tuberculoso, não tinha como trabalhar para sustentar a família. A mãe, deprimida e desnutrida, amamentava um bebê, igualmente fraquinho. Mais oito criancinhas de olhos fundos e barrigas inchadas testemunhavam a fome que reinava naquela casa. Descobriram que a família tinha apenas uma xícara de arroz para comer naquele dia, e nada mais!

Imediatamente, o casal voltou ao mercado, fazendo uma compra farta de alimentos que suprissem as necessidades da família. Mais tarde, a igreja local foi comunicada, e passou a apoiar Feley e seus queridos.

Algum tempo depois, os missionários retornaram à sua terra natal, para acompanhar a educação de seus filhos. Dez anos mais tarde, o missionário foi convidado a visitar as Filipinas e falar a um grupo de universitários na cidade de Manila, capital do país. Ocorreu contar àquele grupo sua experiência com Feley, a garotinha honesta que lhe devolvera cinco centavos. Quando terminou sua palestra, alguém o procurou acompanhado de uma jovem, dizendo: “Pastor, aqui está o final verdadeiro da sua mensagem. Esta moça é a Feley, que estuda Enfermagem nesta universidade. Todos os membros da sua família são membros da igreja!”.

Extraído da carta missionária do Pr. Luiz Ricardo


Pr. Ronaldo

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